Quinta-feira, Abril 29, 2004

O SENEGAL TAMBÉM FICA DENTRO DA CONTORNO

[do Balaio]

Por uma noite, um ponto de Beagá estará mais perto de Dacar. Na última sexta-feira de abril, 30, no Deputamadre (avenida do Contorno, 2.028, Floresta), acontece a 5ª Festa de Independência do Senegal, promovida pela Casa África Centro Cultural.
Muita música, dança, culinária e artesanato do continente africano poderão ser conferidos no evento. ''Queremos mostrar a força da cultura africana'', diz o senegalês Ibrahima Gaye, dirigente da Casa África.

Dentro da programação, o músico senegalês Mamour Ba apresentará o show ''Em Conexão Tribal''. Antes, haverá discotecagens de músicas africanas, feitas pelos dj's Ibrahima Gaye e Diamondog (Angola), de black music, sob a responsa de Bené Ramalho, e o cill-out do dj italiano Gean Luca, além de apresentações de capoeira com samba-de-roda e dança afro.

A culinária é outro ponto forte da cultura negra. Na festa, serão servidos os pratos senegaleses mafe (molho de carnes com amendoim, legumes e condimentos especiais), o yassa (frango acebolado e temperado com mostarda) e o thiebu yapo (arroz com carne de carneiro e legumes, temperado com mostarda). No dia, o Deputamadre estará com uma decoração típica, feita com artesanato de diversas nações africanas: máscaras tribais e tecidos pintados.

Os ingressos, que dão direito à degustação das iguarias, custam R$ 15 (quinze reais) e podem ser adquiridos com antecipação na Casa África (rua Leopoldina, 48, Santo Antônio) e no Dora Cabeleireiros (av. Amazonas, 1.049, centro).


História e Negritude


Léopold Sedar Senghor

A festa celebra a independência do Senegal, país da África Ocidental, que, a partir de 1854, foi mantido sob domínio francês por 106 anos. No dia 04 de abril de 1960, o poeta Léopold Sedar Senghor, líder de um grupo de intelectuais que lutaram em favor da descolonização do país, foi eleito o primeiro presidente do Senegal independente. Morto em 2001, Senghor foi o fundador do Movimento da Negritude - palavra que para ele significava ''a soma total dos valores africanos'' -, que buscava negar, e não apenas para os brancos, mas também os próprios negros, principalmente os da diáspora, quanta falácia foi escrita e ''cientificamente comprovada'' sobre a falsa inferioridade intelectual dos povos africanos.

Primeiro membro negro da Academia Francesa de Letras, o poeta estadista obteve ao longo de sua vida cerca de 15 prêmios internacionais de poesia e o título de Doutor Honoris Causa em mais de 20 universidades no mundo, incluindo a Universidade Federal da Bahia, em 1964. ''A Casa África pretende publicar traduções para o português de escritores senegaleses. A começar de Léopold Senghor'', revela Ibrahima, que busca parcerias para concretizar o projeto.

Senegaleses residentes no Brasil estarão presentes na festa para celebrar esse importante marco histórico do Senegal, que no
passado abrigou dois grandes Impérios africanos: o Mandingue e o Uolof.

Música e tradição

Eduardo Tropia/ouropreto.com.br/divulgação

Mamour e o filho no festival "Tudo É Jazz"

A música, ao lado da tradição oral dos ''griots'', como são chamados na África os velhos contadores de histórias, é um dos elementos responsáveis por registrar e transmitir a cultura e o conhecimento africanos. No Senegal, no primeiro mês de gravidez, os pais já começam um trabalho de educação musical com os filhos, por meio do canto. Até os cinco anos, as canções de ninar dão o tom na vida das crianças senegalesas.

Por causa da educação voltada para a música, a criança senegalesa desenvolve mais seu lado artístico. ''A cultura senegalesa é
fundamentada na tradição do ritmo, que não se pode ouvir sem articular, balançar o corpo. E nesse processo o público participa junto com alegria'', enfatiza o músico senegalês Mamour Ba, responsável pelo show ''m Conexão Tribal'', atração da festa.

Residindo no Brasil desde 1981, Mamour Ba possui uma carreira de trajetória internacional. Como percussionista, excursionou com artistas como David Bowie, Sting, Yousson N'Dour, Peter Gabriel, entre outros. Há três anos, Mamour é convidado para ser o coordenador do grupo afro-baiano Malê de Balê, no carnaval de Salvador. Com cerca de 400 percussionistas, o Male de Balê é, entre os blocos afros e afoxés, um dos principais grupos musicais que participaram do processo de reafricanização do carnaval baiano em meados da década de 70.

No show, Mamour Ba se apresentará ao lado da banda Sunu Gal e de seu filho Cheikh Ba, que com apenas 12 anos está sendo considerado um dos grandes talentos na percussão. No ano passado, o público do festival ''Tudo É Jazz'' de Ouro Preto pôde conferir o djembê ''falador'' de Cheikh, que se apresentou junto com o pai. Tal reconhecimento já interfere na agenda de shows dos artistas. Mamour e Cheikh Ba foram convidados para tocar ao lado do cantor David Bowie, em Londres, no segundo semestre deste ano.

SERVIÇO:

5ª Festa de Independência do Senegal
Dia 30 de abril, sexta-feira, às 22 horas
Deputamadre (avenida do Contorno, 2.028, Floresta, Belo Horizonte)
Ingressos antecipados: R$ 15
Informações: (31) 9641-0982 / (31) 3344-1803

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